Berat e Gjirokastër: as cidades de pedra da Albânia com arquitetura otomana reconhecida pela UNESCO
- Domundo Operadora
- 11 de jul.
- 2 min de leitura

A Albânia guarda duas cidades que parecem ter parado no tempo durante o Império Otomano. Berat, chamada de “Cidade de Mil Janelas”, e Gjirokastër, conhecida como “Cidade de Pedra”, são exemplos excepcionais de arquitetura otomana preservada que renderam a ambas o título de Patrimônio da Humanidade pela UNESCO.
Mil janelas para o passado
Vista de longe, Berat já impressiona. Centenas de casas brancas sobem a colina em camadas, cada uma com múltiplas janelas retangulares que criam um padrão visual único.
Esse mar de janelas deu à cidade seu apelido. As casas foram projetadas com grandes janelas para maximizar a luz natural e a ventilação, crucial em uma região de verões quentes. O estilo arquitetônico, desenvolvido entre os séculos XVIII e XIX, combina funcionalidade com estética.
A cidade é dividida em três bairros históricos. Mangalem, na encosta sul do rio Osum, é predominantemente muçulmano, com mesquitas otomanas pontilhando as ruas. Gorica, na margem oposta, historicamente cristão ortodoxo, tem igrejas antigas escondidas entre as casas brancas. E no topo da colina, Kala, a Cidadela, onde muralhas bizantinas cercam um bairro habitado há 2.500 anos.

Fortaleza de pedra
Se Berat é a cidade das mil janelas, Gjirokastër é a cidade das pedras. Casas fortificadas, chamadas de kulla, construídas em um estilo otomano albanês único, dominam a paisagem. São estruturas imponentes de dois ou três andares, com paredes de pedra de até um metro de espessura, telhados de lajes de pedra e interiores elaboradamente decorados.
As kullas foram construídas por famílias ricas entre os séculos XVII e XIX. Serviam a uma dupla função: residência e fortaleza. No contexto de instabilidade política, ter uma casa que resistisse a ataques era uma necessidade prática.
O Museu Etnográfico de Gjirokastër ocupa a casa onde nasceu Enver Hoxha, o ditador comunista que governou a Albânia por 40 anos.
No topo da cidade, o Castelo de Gjirokastër domina o vale. Construído no século XII e expandido por séculos, é uma das maiores fortalezas dos Bálcãs. Dentro há o museu de armas, incluindo um avião americano capturado em 1957, e um anfiteatro usado para festivais.

Religiosidade albanesa
Uma das características mais notáveis de ambas as cidades é a coexistência de mesquitas e igrejas. Em Berat, a Mesquita do Sultão fica a poucos metros da Igreja da Santíssima Trindade. Em Gjirokastër, minaretes e campanários pontuam o mesmo horizonte.
Essa convivência simultânea reflete a complexa história albanesa. Durante séculos de domínio otomano, muitos albaneses converteram-se ao islamismo, mas uma parte manteve o cristianismo ortodoxo ou católico.
O regime comunista de Hoxha tentou refrear todas as religiões. Em 1967, a Albânia se declarou o primeiro estado oficialmente ateu do mundo. Mesquitas e igrejas foram fechadas, convertidas em armazéns e ginásios, clérigos foram presos ou executados.
Mas em Berat e Gjirokastër, os edifícios sobreviveram, em certa medida porque foram reconhecidos como patrimônio arquitetônico, não apenas religioso. Após a queda do comunismo em 1991, foram restaurados e reabertos. Hoje funcionam novamente, símbolos de resistência cultural.

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