Bergen, a porta de entrada para os fiordes noruegueses

Bergen tem um problema de reputação que seus habitantes adoram mencionar: é a cidade mais chuvosa da Noruega, num país que não é famoso pela amenidade climática, com mais de 230 dias de chuva por ano. Os cidadãos lidam com isso com uma combinação de orgulho e humor que diz muito sobre o caráter da cidade.
A chuva, aliás, tem responsabilidade histórica direta pela prosperidade de Bergen. Ela alimentou os rios, que encheram os fiordes de peixes, que tornaram a cidade o maior porto pesqueiro da Europa medieval.
O arenque salgado de Bergen era uma mercadoria global nos séculos XIII e XIV, abastecia as mesas de toda a Europa católica durante os inúmeros dias de jejum do calendário religioso.

O bairro que a Liga Hanseática deixou
Foi esse comércio que atraiu a Liga Hanseática. Os mercadores alemães estabeleceram em Bergen uma de suas feitorias mais importantes, o Kontor, um complexo de armazéns, escritórios e residências que funcionava como cidade dentro da cidade, com leis próprias e jurisdição independente.
O Bryggen, a fileira de casas de madeira coloridas que ainda define a silhueta do porto de Bergen, é o que sobrou dessas construções hanseáticas. As casas originais queimaram várias vezes ao longo dos séculos, mas foram sempre reconstruídas no mesmo estilo, no mesmo alinhamento, com a mesma lógica estrutural.
O que vemos hoje é uma reconstrução fiel de um original do século XIV. A UNESCO inscreveu o Bryggen como Patrimônio da Humanidade em 1979.

Bergen foi a capital da Noruega antes de Oslo, e guarda uma consciência muito clara de sua importância histórica. É uma cidade que não se sente à sombra de Estocolmo ou Copenhague, mas que tem sua própria identidade consolidada: cosmopolita sem ser frenética, histórica sem ser musealizada, cercada por uma natureza que literalmente envolve a cidade por todos os lados.
A cidade é cercada por sete montanhas com nome próprio que formam uma moldura natural em torno da cidade. A vista panorâmica do alto do Monte Fløyen, explica de imediato por que a cidade existe onde existe: um abrigo perfeito, com porto protegido e acesso direto aos fiordes que se abrem para o norte e para o leste.
Bergen é chamada de porta de entrada para os fiordes por um bom motivo: é dali que a viagem segue rumo a alguns dos cenários mais emblemáticos da Noruega, entre montanhas que parecem brotar da água e travessias que ajudam a entender por que os fiordes se tornaram um dos grandes símbolos do país.

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