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Constantine: A cidade suspensa sobre desfiladeiros na Argélia


Nenhum planejador urbano sensato escolheria construir uma cidade sobre um planalto rochoso cercado por desfiladeiros de 200 metros de profundidade, com apenas algumas passagens naturais estreitas conectando-a ao mundo exterior, certo?


Mas foi exatamente essa topografia impossível que fez de Constantine uma das cidades mais importantes do Norte da África por mais de 2.500 anos.


Os fenícios a chamavam de Sarim Batim. Os númidas a transformaram em capital de reino. Quando Roma conquistou a região, rebatizou-a Cirta e fez dela uma das cidades mais prósperas da África romana.


No século IV, o imperador Constantino reconstruiu a cidade após uma revolta e deu-lhe seu nome: Constantine. Árabes, turcos otomanos e franceses, todos reconheceram o valor estratégico de uma cidade naturalmente fortificada, protegida por abismos em quase toda sua extensão.


Uma cidade que flutua entre penhascos

A cidade se espalha sobre o planalto como se desafiasse a gravidade, e só quando você se aproxima percebe os desfiladeiros vertiginosos que a cercam. O Rio Rhumel serpenteia lá embaixo, com suas águas marrons cortando a rocha calcária ao longo de milênios.


As pontes são a única forma de chegar ao centro histórico. Oito pontes conectam Constantine ao mundo exterior, cada uma com sua história e personalidade. A mais famosa é a Ponte Sidi M'Cid, construída pelos franceses em 1912.


Com 164 metros de altura e 168 metros de comprimento, era a ponte suspensa mais alta do mundo quando inaugurada.


A Ponte do Mercado (Pont El Kantara), bem mais antiga, data da época romana, embora tenha sido reconstruída várias vezes ao longo dos séculos. É a ponte mais baixa: “apenas” 125 metros acima do rio, e sempre foi a principal conexão comercial da cidade.


Mercadores atravessavam aqui com mercadorias vindas do Saara, da costa mediterrânea, das montanhas berberes.


Luxo otomano no alto do abismo

No coração da cidade velha fica o Palácio do Bey, residência do governador otomano durante os séculos XVIII e XIX. O prédio é uma obra-prima da arquitetura islâmica: pátios internos com fontes de mármore, salões com tetos de madeira esculpida, azulejos coloridos com padrões geométricos e janelas com treliças de madeira, permitindo ver sem ser visto.


O palácio foi construído em 1792 por Salah Bey, um dos governadores otomanos mais poderosos e sofisticados da região. Ele transformou Constantine em centro cultural, atraindo artesãos, poetas e estudiosos.


Hoje, restaurado e aberto a visitantes, o palácio oferece um vislumbre de como viviam as elites otomanas no Norte da África. Os hammams (banhos turcos) mostram a engenharia hidráulica sofisticada, os salões de recepção revelam a importância da hospitalidade e da cerimônia, já os pátios internos, com seus jardins e fontes, eram um oásis de frescor e privacidade em meio à cidade movimentada.


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