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Djemila, Argélia: a Roma africana


Nas montanhas do Magrebe, estão as ruínas de uma cidade romana tão bem preservadas que você quase espera ver pessoas com togas passando pelas ruas. Djemila – “a bela” em árabe – é o nome moderno. Os romanos a chamavam de Cuicul, e a fundaram no ano 96 d.C. como colônia militar sob o imperador Nerva.


O que torna Djemila excepcional não é apenas o estado de conservação, mas sua localização. Roma construiu centenas de cidades no Norte da África, mas poucas em terreno tão montanhoso. Cuicul foi planejada para um vale entre duas colinas, e sua planta urbana precisou se adaptar ao relevo irregular.


Uma cidade adaptada às montanhas

O fórum, coração de toda cidade romana, fica em uma área relativamente plana de Djemila, cercada por edifícios públicos, templos, mercado... Dali, ruas pavimentadas com pedras irregulares sobem e descem as colinas, ladeadas por fundações de casas, lojas e oficinas.


O teatro romano, escavado na encosta de uma colina, podia acomodar 3.000 espectadores. Imagine as multidões assistindo tragédias gregas, comédias, discursos políticos, tudo enquanto a paisagem das montanhas berberes se estendia ao fundo.


Por que está tão bem preservada?

A preservação excepcional de Djemila tem três explicações.


1. A cidade foi abandonada gradualmente após a queda de Roma, não destruída violentamente.


2. Sua localização remota significou que pedras não foram saqueadas para construir outras cidades, como aconteceu com muitas ruínas romanas.


3. O clima seco das montanhas protegeu estruturas e mosaicos da umidade destrutiva.


Cuicul prosperou por três séculos. No auge, no século III, tinha população estimada de 10.000 a 15.000 habitantes, algo grande para padrões antigos. A cidade vivia de agricultura (trigo, azeite) e comércio entre a costa mediterrânea e o interior berbere.


Com a chegada do cristianismo, a cidade ganhou várias basílicas. A Basílica Cristã e o Batistério são estruturas impressionantes que mostram como o cristianismo foi adotado pelas elites romanas africanas antes do Império cair.


No século VII, invasões árabes e mudanças nas rotas comerciais fizeram Cuicul perder importância. Gradualmente foi sendo abandonada. Areia e terra cobriram as ruínas, protegendo-as.


No início do século XX, arqueólogos franceses começaram escavações que revelaram a cidade praticamente intacta.


Hoje, Djemila é Patrimônio da Humanidade pela UNESCO (desde 1982) e um dos sítios romanos mais importantes fora da Europa.


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