Lhasa: como a capital do Tibete reservou a fé budista no ponto mais alto e sagrado do mundo

Chegar ao Tibete é subir ao teto do mundo. Encravada no planalto tibetano a 3.490 metros de altitude, Lhasa – cujo nome significa “lugar dos deuses” – é uma das capitais mais altas do planeta e, há mais de 1.300 anos, o coração espiritual do budismo tibetano.
Aqui, a fé não fica somente dentro dos templos. Ela também está nas bandeiras de oração ao vento, nos peregrinos que giram os cilindros de reza e no incenso que perfuma as ruas.
O Palácio Potala
Erguido na Montanha Vermelha, no centro do vale de Lhasa, o Palácio Potala é o grande símbolo do Tibete. Seus Palácios Branco e Vermelho somam mais de mil cômodos que abrigam murais, esculturas, tumbas douradas e manuscritos sagrados.
Foi, do século XVII até 1959, a residência de inverno dos Dalai Lamas, e é Patrimônio da Humanidade pela UNESCO desde 1994.

O que é, afinal, um Dalai Lama?
Muita gente pensa que “Dalai Lama” é o nome de uma pessoa. Não é. É um título, o do mais importante líder espiritual do budismo no Tibete.
O budismo tibetano acredita que alguns grandes mestres reencarnam, e cada Dalai Lama é considerado o renascimento do anterior – o mesmo ser iluminado, voltando vida após vida. Por isso existe uma linhagem deles. A expressão vem do tibetano lama (“mestre”) com o mongol dalai (“oceano”): algo como “um oceano de sabedoria”.
O atual é o 14º Dalai Lama, Tenzin Gyatso, nascido em 1935 e reconhecido ainda criança. Depois de um levante fracassado contra o domínio chinês, em 1959, ele fugiu para a Índia, onde vive exilado desde então, e recebeu o Nobel da Paz em 1989.
Por isso, os palácios que visitamos – o Potala e o Norbulingka, a residência de verão – guardam os aposentos de um morador que não retorna há mais de seis décadas.

Grandes mosteiros
A vida religiosa de Lhasa gira em torno de seus templos e mosteiros. O mais sagrado é o Templo de Jokhang, do século VII, para onde convergem peregrinos de todo o mundo tibetano; à sua volta corre a Rua Barkhor, percorrida em sentido horário pelos fiéis.
Nos arredores estão dois gigantes da escola Gelug (uma das linhagens do budismo tibetano, conhecida no Ocidente como A Ordem dos Chapéus Amarelos): o mosteiro de Drepung, com quase 7 mil monges, e o de Sera, de 1419, famoso pelos debates filosóficos entre os monges no pátio.

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