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Mercados flutuantes de Bangkok: a tradição milenar que ainda pulsa nos canais da Tailândia


A cena parece saída de outro século: dezenas de barcos de madeira repletos de frutas tropicais coloridas, legumes frescos e flores aromáticas navegam lentamente por canais estreitos.


Vendedoras de chapéus de palha remam com habilidade impressionante enquanto negociam preços, preparam refeições e organizam mercadorias – tudo sem pisar em terra firme.


Bem-vindo aos mercados flutuantes da Tailândia, onde o comércio acontece sobre a água há mais de 150 anos.


Damnoen Saduak: o mais famoso de todos

O Mercado Flutuante de Damnoen Saduak é o mais visitado e fotografado da Tailândia. E não é à toa: a visão de incontáveis barcos a remo navegando em um balé aquático caótico e perfeitamente coordenado ao mesmo tempo é hipnotizante.


O mercado acorda cedo. Às 6h da manhã, os primeiros barcos já estão posicionados, carregados até a borda com produtos frescos trazidos de regiões vizinhas. Os vendedores usam roupas tradicionais e os característicos chapéus mo hom, que protegem do sol inclemente. Nos barcos maiores, fogões a carvão preparam pad thai, sopas de macarrão, banana frita e outras iguarias enquanto navegam.


Por que comércio na água?

A Tailândia central é atravessada por inúmeros rios e canais, tanto naturais quanto construídos ao longo de séculos. Antes das estradas modernas, a água era a principal via de transporte e comunicação.


Bangkok era conhecida como “Veneza do Oriente”, com famílias vivendo em casas de palafita às margens dos canais e fazendo tudo sobre a água: trabalhar, comprar, vender, socializar.


Os mercados flutuantes surgiram naturalmente dessa geografia. Fazendeiros que cultivavam às margens dos rios enchiam seus barcos de produtos e remavam até pontos de encontro onde outros barcos já esperavam para comprar. Era eficiente, prático e aproveitava a infraestrutura natural do país.


No auge, havia centenas de mercados flutuantes espalhados pela Tailândia central. Bangkok tinha dezenas deles. Mas com a construção de estradas no século XX, o comércio migrou para terra firme. Canais foram aterrados para dar lugar a avenidas e casas de palafita foram substituídas por edifícios de concreto.


Os mercados flutuantes poderiam ter desaparecido completamente. Mas alguns sobreviveram – tanto pela comunidade local que continuou usando-os quanto pelo turismo que ajudou a preservá-los.


Talat Rom Hoop: o Mercado do Trem

Outro mercado imperdível, embora em terra firme, é o Talat Rom Hoop. Quando o trem se aproxima, os vendedores rapidamente recolhem suas barracas e toldos que invadem os trilhos, deixando apenas centímetros de espaço para o trem passar.


Assim que o trem cruza, em questão de segundos, todas as barracas voltam para os trilhos e o comércio recomeça como se nada tivesse acontecido. Turistas ficam boquiabertos observando legumes e peixes sendo vendidos literalmente sobre os trilhos, a poucos centímetros de onde toneladas de aço acabaram de passar. Para os vendedores, é apenas mais um dia de trabalho


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