Vale dos Reis: tumbas escavadas na rocha preservaram múmias e tesouros de 62 faraós
- Domundo Operadora
- 1 de jul.
- 2 min de leitura

Depois de mil anos construindo pirâmides, os faraós perceberam um problema: pirâmides anunciam exatamente onde está o túmulo. Não importa quantas armadilhas, corredores falsos e portas seladas você construa, ladrões eventualmente encontram o caminho. E encontraram: praticamente todas as pirâmides foram saqueadas ainda na Antiguidade.
A solução foi radical: abandonar monumentos visíveis e esconder os túmulos. No lado oeste do Nilo, em frente a Luxor, há um vale desértico cercado por penhascos rochosos. Ali, começando por volta de 1500 a.C., faraós do Novo Reino mandaram escavar tumbas secretas nas encostas e no fundo do vale. Nascia o Vale dos Reis.
Um cemitério secreto
A ideia era boa: tumbas discretas, sem marcos externos óbvios, guardadas por policiais do deserto. Durante alguns séculos funcionou relativamente bem. Mas segredos não duram milênios.
Ladrões locais conheciam o vale desde tempos antigos. Sacerdotes, confrontados com roubos crescentes, eventualmente moveram múmias reais para esconderijos coletivos para protegê-las.
Quando arqueólogos modernos começaram escavações sistemáticas no século XIX, encontraram tumbas já saqueadas. Até 1922, 61 tumbas tinham sido descobertas no Vale dos Reis. Todas violadas. Arqueólogos assumiram que não havia mais nada significativo a encontrar. Estavam errados.
Tutancâmon: a tumba intocada
Howard Carter, arqueólogo britânico teimoso, tinha uma teoria: havia uma tumba ainda não descoberta, de um faraó relativamente obscuro chamado Tutancâmon. Seu patrono, Lorde Carnarvon, estava perdendo a paciência depois de anos de escavações sem resultado. 1922 seria a última temporada financiada.
Em 4 de novembro de 1922, um menino carregador de água descobriu um degrau de pedra sob a areia. Carter foi chamado e escavou cuidadosamente. Uma escadaria ia até uma porta selada com carimbos reais intactos.
Quando abriram a tumba em 26 de novembro, encontraram câmaras abarrotadas de tesouros: camas cerimoniais, carruagens desmontadas, estátuas, joias, armas, roupas, comida mumificada, vinho, perfumes. E no centro, quatro santuários dourados encaixados uns dentro dos outros, protegendo três sarcófagos.
O mais interno era de ouro maciço, pesando 110 quilos, contendo a múmia de Tutancâmon, que morreu aos 19 anos, por volta de 1324 a.C., após reinado curto e relativamente sem importância. Mas porque sua tumba escapou dos grandes saqueios, ele se tornou o faraó mais famoso de todos.

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