A arquitetura enigmática dos nuraghi
- Domundo Operadora
- há 9 horas
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Dispersos pela paisagem da Sardenha como enigmas de pedra, os nuraghi são a marca mais emblemática da civilização nurágica – um povo pré-romano que habitou a ilha entre a Idade do Bronze e a Idade do Ferro.
São mais de sete mil construções catalogadas, espalhadas por planícies, colinas e até ilhotas como Sant’Antioco. Mas é em Barumini, no coração da ilha, que se encontra o maior e mais impressionante exemplar de todos: Su Nuraxi.
Erguido entre os séculos XVI e XIII a.C., Su Nuraxi di Barumini é um complexo fortificado composto por uma torre central de quase 20 metros de altura, cercada por quatro torres menores e uma vila que se espalha ao redor em círculos.
As pedras vulcânicas encaixadas sem argamassa revelam a sofisticação técnica de um povo que, mesmo sem registros escritos, deixou testemunhos monumentais da sua cultura.
A estrutura original baseia-se na técnica da falsa cúpula, um princípio arquitetônico ancestral trazido do Mediterrâneo Oriental – uma conexão que ainda hoje intriga arqueólogos e historiadores.
A imponência do conjunto e sua preservação renderam a Su Nuraxi o título de Patrimônio da Humanidade pela UNESCO, e fazem da visita uma verdadeira viagem ao passado.
Mais ao sul, nas paisagens costeiras da Isola di Sant’Antioco, outros nuraghi surgem entre vinhedos, pastagens e falésias voltadas para o mar. Aqui, a força das construções contrasta com a delicadeza da seda do mar, ou bisso, produzida a partir dos filamentos de um molusco local e conhecida como “ouro marinho”. Duas heranças igualmente raras.
Hoje em ruínas, os nuraghi resistem como marcos de uma civilização sem escrita, mas não sem voz. Cada torre e cada pedra empilhada conta uma história de permanência – no tempo e no território.
Os Gigantes que emergiram do chão
Descobertas por acaso nos anos 1970, as estátuas de Mont’e Prama revelaram uma face inesperada da civilização nurágica. Com até 2,5 metros de altura, olhos circulares e traços geométricos, essas figuras esculpidas em calcário representam guerreiros, arqueiros e pugilistas. Foram enterradas cerimonialmente aos pés de uma colina, em um gesto ainda sem explicação definitiva – talvez uma forma de marcar o fim de uma era.
Mais do que simples esculturas, os Gigantes desafiam o imaginário europeu sobre os primórdios da arte monumental no Mediterrâneo. E reposicionam a Sardenha como um dos grandes centros culturais da Antiguidade.

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