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Bruxelas: a capital da União Europeia surpreende com séculos de história e gastronomia irresistível

29 de ago.
3 min de leitura

Por ser sede da União Europeia e da OTAN, Bruxelas tende a ser associada a burocracia, reuniões e gravatas. É um interessante equívoco, mas a capital da Bélgica é, na verdade, uma das cidades mais prazerosas da Europa.


Uma cidade que inventou a batata frita, o waffle e aperfeiçoou a arte de fazer chocolate. Que produz mais de mil variedades de cerveja, incluindo algumas das mais complexas e reverenciadas do mundo.


Que tem uma das praças medievais mais belas do continente e uma estátua de bronze de um menino urinando que se tornou um dos símbolos mais queridos da Europa.


A Grand-Place

O coração de Bruxelas é a Grand-Place, e o coração da Grand-Place é uma das experiências mais impactantes que uma praça europeia pode oferecer. Victor Hugo, que viveu exilado em Bruxelas por alguns anos, a chamou de “a mais bela praça do mundo”. É uma afirmação difícil de contestar quando se está lá.


A praça foi construída entre os séculos XIV e XVII, com o Hotel de Ville – sede da prefeitura, com sua torre gótica de noventa metros – no centro, e as casas medievais ao redor.


Cada casa pertencia a uma ‘corporação’ diferente: os cervejeiros, os arqueiros, os padeiros, os alfaiates. Cada uma foi decorada com uma riqueza proporcional ao orgulho de seus donos: fachadas barrocas douradas, estátuas, símbolos, inscrições em latim.


Em 1695, o marechal francês de Villeroy bombardeou Bruxelas por ordem de Luís XIV, destruindo boa parte da cidade.


A Grand-Place foi reconstruída em apenas quatro anos, com as casas erguidas de volta na mesma escala e riqueza de antes, numa demonstração de teimosia e orgulho que define bem o caráter bruxelense. A UNESCO reconheceu a praça como Patrimônio da Humanidade em 1998.



O Manneken Pis

A poucos metros da Grand-Place está o Manneken Pis, uma estátua de bronze de cinquenta e cinco centímetros representando um menino urinando numa fonte. É pequena, é simples, e é um dos monumentos mais fotografados da Europa.


A origem da estátua remonta a 1619, quando o escultor Jerôme Duquesnoy a criou por encomenda da cidade. Por que um menino urinando? Há várias lendas.


A mais popular conta que o filho de um duque se perdeu durante uma batalha e foi encontrado urinando tranquilamente numa moita, alheio ao caos ao redor. Outra diz que um menino assim salvou a cidade ao urinar num rastilho de pólvora antes que explodisse.


O que importa é que os bruxelenses adotaram a estátua com afeto. Ela tem um guarda-roupas oficial com mais de novecentos trajes, presenteados por delegações estrangeiras ao longo dos séculos, e é vestida em datas comemorativas.

Há quem diga que o Manneken Pis resume o espírito belga melhor do que qualquer monumento grandioso: uma recusa bem-humorada de levar as coisas a sério demais.



O Atomium

No extremo norte da cidade, o Atomium é o contraponto moderno da Grand-Place. Construído para a Exposição Universal de 1958, representa um cristal de ferro ampliado cento e sessenta e cinco bilhões de vezes, com nove esferas de aço inoxidável conectadas por tubos que formam a estrutura de um átomo.


Tem cento e dois metros de altura e, quando foi inaugurado, era a visão de futuro que o mundo pós-guerra queria projetar: ciência, progresso, otimismo.


Hoje é um ícone arquitetônico que os bruxelenses olham com carinho. Em parte pela ‘estranheza’ simpática, que nunca perdeu, em parte por ser genuinamente belo.



O chocolate e a cerveja

Duas ‘obsessões’ belgas merecem atenção especial em Bruxelas. A primeira delas, o chocolate, uma tradição artesanal desenvolvida ao longo de séculos, com técnicas próprias que diferenciam o produto belga de qualquer outra produção europeia.


As chocolateries do centro de Bruxelas – muitas funcionando nas mesmas localizações há décadas – produzem barras, trufas e tabletes com um intenso comprometimento.


A cerveja belga é, por sua vez, reconhecida pela UNESCO como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade – um reconhecimento que os belgas receberam com a satisfação de quem sempre soube que merecia.


As cervejas trapistas, produzidas em mosteiros sob supervisão direta de monges da Ordem Trapista, são as mais reverenciadas. Há apenas algumas dezenas de mosteiros no mundo autorizados a usar o selo Authentic Trappist Product, e a Bélgica concentra a maior parte deles.


Fermentadas em silêncio monástico, com receitas guardadas há séculos, são cervejas de complexidade que rivaliza com os melhores vinhos.


Os moules-frites – mexilhões cozidos no vinho branco servidos com batatas fritas – completam o quadro gastronômico de uma cidade que leva o prazer de comer e beber com uma seriedade que, paradoxalmente, resulta em muita alegria.


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