Cidade Proibida de Pequim: como o lar de 24 imperadores chineses se tornou o maior patrimônio da Ásia
- Domundo Operadora
- há 8 horas
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No coração de Beijing, cercada por uma muralha de 10 metros de altura e um fosso de 52 metros de largura, está a Cidade Proibida, o maior complexo palaciano do mundo. Por quase 500 anos, foi o centro absoluto do poder na China, residência de 24 imperadores das dinastias Ming e Qing. E por quase todo esse tempo, foi absolutamente proibida para cidadãos comuns.
Números que impressionam
A Cidade Proibida ocupa 720 mil metros quadrados: quase o tamanho de 100 campos de futebol. Contém 980 edifícios com 8.700 cômodos. Demorou 14 anos para ser construída (1406-1420), envolvendo mais de um milhão de trabalhadores, incluindo 100 mil artesãos especializados. Tudo foi pensado segundo princípios rigorosos de cosmologia e numerologia chinesa. O palácio está orientado perfeitamente no eixo norte-sul. Sua cor dominante é o vermelho (simbolizando boa sorte e felicidade) com telhados amarelos (cor reservada ao imperador). Até o número de pregos nas portas tinha significado: portas imperiais tinham 9 fileiras de 9 pregos, totalizando 81 – números auspiciosos.
Vida dentro das muralhas
O nome “Cidade Proibida” é literal. Durante séculos, entrar no complexo sem autorização imperial era punível com morte. O imperador vivia aqui com sua família, centenas de concubinas, milhares de servos, guardas e oficiais. Era um mundo completamente isolado, onde tudo girava em torno de rituais e hierarquias estritas.
O fim de uma era
A Cidade Proibida deixou de ser proibida em 1912, quando a Revolução Xinhai derrubou a Dinastia Qing e estabeleceu a República da China. O último imperador, Puyi, tinha apenas 6 anos quando abdicou. Ele continuou vivendo no palácio até 1924, quando foi finalmente expulso.
Durante décadas, o complexo foi negligenciado. Na Revolução Cultural (1966-1976), Guardas Vermelhos queriam destruí-lo como símbolo do passado feudal. Conta-se que Zhou Enlai, primeiro-ministro de Mao, enviou o exército para proteger o palácio, salvando-o da destruição.
Hoje, a Cidade Proibida é visitada por mais de 17 milhões de pessoas por ano. Mas mesmo com milhões de visitantes, o palácio guarda mistérios. Diz-se que menos de metade dos cômodos estão abertos ao público. Há salas fechadas, corredores esquecidos, tesouros ainda catalogados. Depois de quinhentos anos de segredos, a Cidade Proibida não revela tudo assim tão facilmente.

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