Gdansk: a cidade das praias bálticas onde o mar deposita âmbar nas areias
- Domundo Operadora
- há 11 minutos
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Gdansk tem uma particularidade que poucas cidades do mundo podem reivindicar: suas praias produzem joias.
O âmbar báltico – resina fossilizada de árvores coníferas que viveram entre 40 e 50 milhões de anos atrás – é arrastado pelas correntes do Mar Báltico até a costa e recolhido há séculos pelos habitantes da região.
Na Idade Média, era tão valioso quanto o ouro e controlado com a mesma ferocidade. Hoje, é o símbolo mais reconhecível da cidade e matéria-prima de uma indústria joalheira que atrai compradores do mundo inteiro.
A cidade hanseática
Gdansk foi durante séculos uma das cidades mais importantes da Liga Hanseática, a poderosa rede comercial medieval que controlava o comércio no Mar do Norte e no Báltico.
Fundada no século X, tornou-se o principal porto de escoamento do trigo polonês para a Europa Ocidental. No século XVI, estima-se que 80% de todo o trigo exportado pela Polônia passasse pelo porto de Gdansk.
Essa prosperidade deixou marcas arquitetônicas visíveis até hoje. A Rua Dlugi Targ, o coração histórico da cidade, é ladeada por fachadas coloridas e elaboradas que rivalizam com as de qualquer cidade holandesa.
Não por acaso, os comerciantes dessas regiões eram presença constante em Gdansk. O Portão Dourado, a Fonte de Netuno e a Câmara Municipal formam um conjunto barroco de rara elegância para esta cidade do norte europeu.
O âmbar
O comércio do âmbar em Gdansk é anterior à própria cidade. Povos da Idade do Bronze já negociavam a resina fossilizada nessa costa há quatro mil anos, numa rota comercial que conectava o Báltico ao Mediterrâneo: a chamada Rota do Âmbar, tão importante na Antiguidade quanto a Rota da Seda.
O âmbar báltico tem características únicas. Sua idade – entre 40 e 50 milhões de anos – e a composição química específica das árvores que produziram a resina resultam num material com qualidades distintas das de outros âmbares do mundo.
Frequentemente, os pedaços contêm insetos, folhas e fragmentos de plantas preservados com perfeição dentro da resina. Um mosquito aprisionado no âmbar há milhões de anos é uma janela direta para um mundo que desapareceu.
Na Rua Mariacka, a mais charmosa de Gdansk, joalheiros expõem suas peças em bancas ao ar livre: colares, brincos, anéis e esculturas em todas as tonalidades do âmbar, do amarelo-pálido ao quase vermelho. A rua inteira é dedicada ao ofício, e vale andar devagar, olhando com calma.

A Basílica de Santa Maria
No centro da cidade velha, a Basílica de Santa Maria domina o horizonte com uma presença que impressiona mesmo quem já viu muitas catedrais europeias.
Construída inteiramente em tijolo aparente entre os séculos XIV e XV, é considerada a maior igreja de tijolo do mundo, com capacidade para acomodar 25 mil pessoas. Por dentro, a escala é ainda mais impactante: naves altíssimas, vitrais, e um relógio astronômico do século XV.
O berço do Solidariedade
Em 1980, Gdansk voltou a ser o centro do mundo por razões bem diferentes do comércio medieval. Foi aqui, no Estaleiro Lenin, hoje Estaleiro de Gdansk, que um eletricista chamado Lech Walesa escalou o muro da fábrica e liderou a greve que deu origem ao sindicato Solidariedade.
Era o primeiro sindicato independente num país do bloco soviético. O movimento começou entre operários e terminou derrubando o regime. Em 1989, Walesa negociava com o governo comunista polonês a transição para a democracia.
Em 1990, foi eleito presidente da Polônia. Em 1983, havia recebido o Nobel da Paz. No portão do estaleiro, uma cruz de aço marca o lugar onde tudo começou.

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