Grande Migração, o maior espetáculo de vida selvagem da Terra entre o Quênia e a Tanzânia

Todos os anos, gnus, zebras e gazelas se colocam em marcha pelas planícies da África Oriental. Não é um evento pontual, com data e local marcados.
É um movimento perpétuo, um enorme círculo que gira sem parar entre o Serengeti, na Tanzânia, e a Reserva Masai Mara, no Quênia. Juntas, essas duas áreas formam um único ecossistema de cerca de 30 mil km², e a fronteira entre os dois países, que para nós é uma linha no mapa, para os animais simplesmente não existe.
Um ciclo mais antigo que o homem
O motor da migração é a comida. Os gnus comem grama curta e nova, e precisam dela o ano inteiro. Como as chuvas caem em épocas diferentes em cada parte do ecossistema, as manadas passam a vida perseguindo o verde.
Entre janeiro e março, elas se concentram no sul do Serengeti, onde nasce a nova geração: no auge da temporada de partos, chegam a nascer cerca de 8 mil filhotes por dia.
Conforme a estação seca avança, os rebanhos rumam para o norte, e é por volta de agosto e setembro – justamente quando estaremos na região – que alcançam o Masai Mara e enfrentam o obstáculo mais dramático do trajeto.

A travessia
Para chegar às pastagens do Mara, os animais precisam atravessar rios, principalmente o Mara e o Grumeti. Ali, à espera, estão os crocodilos-do-nilo, alguns com mais de cinco metros, entre os maiores répteis do mundo.
A cena que se repete a cada travessia é uma das mais brutais e fascinantes da natureza: milhares de gnus se acumulam na margem, hesitam, e de repente despencam água adentro num único impulso coletivo.
Muitos se afogam no tumulto ou viram alimento; enquanto outra parte alcança o outro lado. É a lógica implacável do número: atravessar em massa é o que garante que a espécie, como um todo, siga adiante.
Um banquete para os predadores
Onde há tanta presa, há caça. A Grande Migração arrasta consigo um cortejo de predadores: leões, que vivem em grupos numerosos na região; guepardos, os velocistas da savana; leopardos, mais solitários e discretos; e hienas, que caçam muito mais do que a fama sugere. Para eles, a passagem das manadas é o período de fartura do ano.

OS BIG FIVE
O termo “Big Five” nasceu da caça. No auge dos safáris de tiro, caçadores europeus batizaram assim os cinco animais mais perigosos de abater a pé: o leão, o leopardo, o elefante, o búfalo-africano e o rinoceronte.
Com o tempo, e à medida que a câmera substituiu o rifle, a expressão virou o troféu simbólico de todo safári fotográfico: ver os cinco numa mesma viagem! O mais difícil da lista costuma ser o rinoceronte, sobretudo o raro rinoceronte-negro, que nos aguarda na cratera de Ngorongoro.

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