Zanzibar, a ilha das especiarias no Oceano Índico

A história de Zanzibar tem cheiro de cravo. O arquipélago, hoje parte semiautônoma da Tanzânia, foi durante séculos um dos grandes entrepostos do oceano Índico, ponto de encontro de povos, mercadorias e credos vindos de três continentes.
Tudo o que Zanzibar é – sua arquitetura, sua cozinha, sua língua, sua religião – nasceu desse vaivém.
Um cruzamento de povos
A cultura suaíli da costa da África Oriental é, em si, um produto de mistura: sobre uma base africana bantu se depositaram, ao longo de mais de mil anos, influências árabes, persas, indianas e, mais tarde, europeias.
Comerciantes cruzavam o Índico embalados pelas monções, que sopravam num sentido em uma estação e no sentido oposto em outra, permitindo a ida e a volta.
No século XIX, a importância de Zanzibar era tal que o sultão de Omã, Said bin Sultan, transferiu sua capital da Península Arábica para a ilha, em 1840. A partir daí, o arquipélago virou o centro de um próspero império comercial.
A ilha das especiarias
Foi nesse período que Zanzibar se tornou a “ilha das especiarias”. O cravo, trazido de fora e plantado em larga escala, transformou o arquipélago no maior produtor mundial da especiaria, e a ele se somaram noz-moscada, canela, pimenta e cardamomo. As fazendas de especiarias que ainda hoje perfumam o interior da ilha são herança direta dessa era.

Stone Town
O coração histórico de Zanzibar é Stone Town, a Cidade de Pedra, declarada Patrimônio da Humanidade pela UNESCO em 2000. É um labirinto de vielas estreitas entre casas erguidas em pedra de coral, com portas de madeira maciça finamente entalhadas - umas no estilo árabe, outras no indiano – que se tornaram o símbolo da cidade.
Entre seus casarões estão o Old Fort, fortaleza omani do fim do século XVII, e a Casa das Maravilhas, o primeiro edifício da ilha a ter eletricidade e elevador. Foi também em Stone Town que nasceu, em 1946, Farrokh Bulsara. O mundo o conheceria como Freddie Mercury.
Zanzibar hoje
Do encontro de todos esses mundos sobrou o que se vê hoje: praias de areia branca e mar turquesa, uma cozinha que casa peixe fresco com especiarias, mesquitas ao lado de igrejas, e uma atmosfera em que árabe, africano e indiano se dissolvem num só modo de viver.

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