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O fóssil de Lucy e como a Etiópia se tornou o lugar mais importante da paleontologia mundial

há 4 dias
2 min de leitura

A Etiópia deu ao mundo duas coisas que hoje pertencem a toda a humanidade. A primeira é a nossa própria origem, a história de como nos tornamos humanos começa a ser contada aqui, no solo etíope. A segunda, mais perfumada, você encontra ao fim desta matéria.


O dia em que encontraram Lucy

Em novembro de 1974, na região árida de Afar, no nordeste do país, uma equipe liderada pelo paleoantropólogo americano Donald Johanson desenterrou algo que mudaria para sempre a forma como entendemos nossa espécie: cerca de 40% do esqueleto de uma fêmea que viveu há aproximadamente 3,2 milhões de anos.


Ela pertencia à espécie Australopithecus afarensis e recebeu o apelido de Lucy, em homenagem à canção “Lucy in the Sky with Diamonds”, dos Beatles, que tocava no acampamento na noite da descoberta. Os etíopes preferem chamá-la de Dinkinesh, que em amárico significa “você é maravilhosa”.



Por que Lucy importa tanto

Antes de Lucy, acreditava-se que nossos ancestrais só teriam começado a andar em pé depois de o cérebro já ter crescido. O esqueleto dela provou o contrário: a estrutura dos quadris e das pernas mostra que Lucy já caminhava ereta, sobre duas pernas, e isso muito antes de o cérebro humano atingir o tamanho e a complexidade que tem em todos nós hoje.


Foi uma virada na compreensão da evolução. Décadas depois, em 2000, a mesma região revelaria Selam, o esqueleto de uma criança da mesma espécie, ainda mais antiga, apelidada de “filha de Lucy”.


No Museu Nacional da Etiópia, em Adis Abeba, os visitantes veem réplicas fiéis de Lucy e de Selam. Os ossos originais, preciosos demais, ficam guardados em segurança longe da luz.


O CAFÉ NASCEU AQUI

A segunda herança etíope para a humanidade cabe numa xícara. Reza a lenda que, por volta do século IX, um pastor chamado Kaldi, da região de Kaffa, reparou que suas cabras ficavam agitadas depois de comer certos frutos vermelhos de um arbusto. Curioso, experimentou os grãos, e o resto é história. O próprio nome “café” descende de Kaffa. Até hoje a Etiópia cultiva variedades de arábica que não existem em nenhum outro lugar, e o café continua no centro da vida social do país. No Mercato de Adis Abeba, um dos maiores mercados a céu aberto da África, o aroma denuncia o produto antes de você vê-lo.


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