Luxemburgo: o pequeno grande país da Europa que surpreende com séculos de história e cultura

Com apenas 2.586 km² e menos de setecentos mil habitantes, Luxemburgo é um dos menores territórios da Europa. E ainda assim tem o título de maior renda per capita do mundo, é membro fundador da União Europeia, sede de instituições europeias de peso e uma capital cuja história a colocou entre as zonas militares mais poderosas do continente.
Não é um país comum. É um Grão-Ducado – o único ainda existente no mundo –, com uma constituição que remonta ao século XIX e uma identidade nacional construída ao longo de gerações numa posição geográfica que nunca foi fácil.
Encravado entre a França, a Alemanha e a Bélgica, Luxemburgo foi durante séculos território cobiçado, ocupado e disputado pelas maiores potências europeias.
A fortaleza que impressionou a Europa
A história de Luxemburgo começa numa rocha. Em 963 d.C., o conde Siegfried adquiriu um espaço rochoso e íngreme sobre o Rio Alzette e construiu ali um castelo.
Era um ponto estratégico natural e, durante os séculos seguintes, foi fortificado, expandido e reforçado por cada novo senhor que o controlou.
Habsburgo, Borgonha, Espanha, França, Áustria e Prússia passaram por Luxemburgo, e cada um deixou sua contribuição às muralhas. No auge, a fortaleza era considerada, ao lado de Gibraltar e Metz, uma das três mais poderosas da Europa, e chegou a ser conhecida como o Gibraltar do Norte.
O sistema defensivo mais impressionante não estava nas muralhas externas, mas abaixo delas. Ao longo de séculos, os engenheiros militares escavaram dentro da rocha uma rede de túneis e galerias, as casamatas, que chegou a ter mais de vinte e três quilômetros de extensão e três andares subterrâneos.
Ali podiam se abrigar soldados, cavalos, artilharia e provisões suficientes para resistir a longos cercos. Em alguns trechos, as galerias têm mais de quarenta metros de profundidade abaixo do nível da cidade.
Em 1867, pelo Tratado de Londres, as potências europeias determinaram a neutralidade perpétua de Luxemburgo e a demolição das fortificações, consideradas uma ameaça ao equilíbrio europeu.
Levou dezesseis anos para demolir o que havia levado séculos para construir. Mas as casamatas sobreviveram. Durante a Segunda Guerra Mundial, serviram de abrigo para a população civil durante os bombardeios.
Hoje, os bairros antigos e as casamatas restantes compõem um conjunto reconhecido como Patrimônio da Humanidade pela UNESCO.

A cidade alta e a cidade baixa
A capital de Luxemburgo é uma cidade de dois níveis. A cidade alta, construída sobre o planalto rochoso, é onde ficam os palácios, as praças, as igrejas e os edifícios institucionais.
A cidade baixa – o Grund – desce pelos desfiladeiros até o nível do Rio Alzette, com casas antigas, jardins e uma atmosfera de vilarejo medieval que contrasta completamente com a sofisticação administrativa do planalto acima.
O Palácio dos Grão-Duques, residência oficial do chefe de estado, fica na cidade alta, numa posição central. A antiga Igreja do Colégio dos Jesuítas, hoje catedral da cidade, é o edifício religioso mais importante do grão-ducado, com sua fachada renascentista e o interior decorado com azulejos que revelam a influência espanhola dos séculos de domínio Habsburgo.

O país mais multilíngue da Europa
Luxemburgo tem três línguas oficiais: luxemburguês, francês e alemão. O luxemburguês é a língua do cotidiano, da família e da identidade nacional; o francês é a língua da administração e do direito; o alemão é usado, em sua maioria, por parte da imprensa e da igreja.
A maioria dos habitantes fala as três com fluência, além do inglês e, em alguns casos, do português, já que a comunidade portuguesa é a maior comunidade estrangeira do país, representando cerca de 16% da população.
Essa multiplicidade linguística faz parte da identidade de Luxemburgo, que sempre esteve na encruzilhada de culturas e aprendeu, ao longo dos séculos, a vantagem de transitar entre diferentes mundos.
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