Mausoléu Real da Mauritânia: mausoléu gigante na Argélia pode abrigar Cleópatra Selene
- Domundo Operadora
- há 1 dia
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No alto de uma colina com vista para o Mediterrâneo, ergue-se uma estrutura misteriosa. Com 60 metros de diâmetro e originalmente 40 metros de altura, o Mausoléu Real da Mauritânia domina a paisagem.
Construído entre 3 a.C. e 40 d.C., possivelmente abriga uma das figuras mais fascinantes da antiguidade: Cleópatra Selene, filha de Cleópatra VII do Egito e Marco Antônio.
A filha esquecida de Cleópatra
Quando Cleópatra e Marco Antônio foram derrotados por Otaviano (futuro imperador Augusto) na Batalha de Áccio em 31 a.C., ambos cometeram suicídio. Seus três filhos foram capturados e levados a Roma. Cleópatra Selene, então com 10 anos, foi exibida no triunfo de Otaviano, uma humilhação pública da dinastia derrotada.
Mas Otaviano não executou as crianças. Cleópatra Selene foi criada pela irmã de Augusto, Otávia (ironicamente, ex-esposa de Marco Antônio). Recebeu educação romana refinada, aprendeu grego, latim, filosofia, astronomia. Era, afinal, descendente de duas das linhagens mais poderosas do mundo antigo.
Por volta de 25 a.C., Augusto organizou o casamento de Selene com Juba II, rei da Mauritânia (reino berbere que cobria partes da atual Argélia e Marrocos). Juba II era erudito, historiador, descendente de reis núbios.
Juntos governaram a Mauritânia por décadas, transformando sua capital, Cesareia (hoje Cherchell), em centro cultural mediterrâneo. Cleópatra Selene promoveu cultos egípcios, mandou cunhar moedas com sua imagem usando a coroa dupla dos faraós, e possivelmente trouxe artesãos e escribas do Egito.
O mausoléu misterioso
O Mausoléu Real da Mauritânia foi construído no estilo dos túmulos helenísticos, misturando elementos gregos, egípcios e púnicos. A base circular é cercada por 60 colunas jônicas. Acima, uma pirâmide culminava em uma estátua ou símbolo no topo (hoje perdido).
Inscrições em púnico e líbio (língua berbere antiga) não identificam claramente os ocupantes. Mas historiadores acreditam que abriga Juba II e Cleópatra Selene, com base em datação, escala (apropriada para monarcas), e localização próxima à antiga capital.
Legado de uma rainha esquecida
Cleópatra Selene é uma figura histórica esquecida. Sua mãe, Cleópatra VII, é uma das mulheres mais famosas da história. Mas a filha, que sobreviveu à derrota, adaptou-se ao Império Romano, governou um reino e perpetuou a herança por mais uma geração, raramente aparece em livros de história.
Seu legado, porém, persistiu. Seus filhos e descendentes governaram a Mauritânia por décadas, moedas com sua representação circularam pelo Mediterrâneo, e este mausoléu monumental, ainda erguido após dois mil anos, testemunha que uma filha de Cleópatra fez do Norte da África seu reino e deixou uma marca permanente.

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