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Minas de Sal de Wieliczka: como mineradores poloneses criaram uma obra de arte milenar no subsolo


A poucos quilômetros de Cracóvia, existe uma cidade inteira embaixo da terra. Não uma ruína, não uma caverna... Uma cidade com capelas, escadarias, lagos e estátuas, tudo esculpido na rocha de sal ao longo de sete séculos de mineração contínua.


As Minas de Sal de Wieliczka estão em operação desde o século XIII. No auge, eram uma das maiores empresas do mundo medieval, responsáveis por até um terço de toda a receita do reino polonês. O sal era, naquela época, o que o petróleo é hoje: uma mercadoria estratégica, moeda de poder, razão de guerras. Quem controlava o sal controlava a economia. E a Polônia medieval controlava Wieliczka.


Com o tempo, os mineiros foram deixando sua marca nas paredes. Primeiro como devoção, em capelas esculpidas para proteger o trabalho perigoso nas profundezas. Depois como arte, como orgulho do ofício, como forma de registrar a própria história. O resultado, acumulado ao longo de gerações, é um dos patrimônios subterrâneos mais extraordinários do mundo.


A lenda da Princesa Kinga

A lenda conta que a Princesa Kinga, filha do rei da Hungria, estava prometida em casamento ao príncipe polonês Bolesław. Como dote, pediu ao pai não ouro nem joias, mas uma mina de sal, algo bem mais valioso na época. O rei húngaro concordou e lhe deu a mina de Máramaros.


Antes de partir para a Polônia, Kinga jogou seu anel de noivado dentro da mina. Ao chegar à Cracóvia, pediu que seus servos escavassem o solo. Encontraram sal, e dentro do primeiro bloco extraído, o anel da princesa.


Santa Kinga tornou-se a padroeira dos mineiros poloneses. Sua imagem aparece em capelas por todo o complexo, e a maior câmara da mina leva seu nome.


O que nos espera no subsolo

As visitas turísticas realizadas no espaço costumam descer a pouco mais de cem metros de profundidade e percorrer alguns quilômetros de galerias – uma fração dos trezentos quilômetros de túneis que compõem o complexo total, espalhados por nove andares subterrâneos.


Ao longo do caminho, centenas de estátuas esculpidas em sal retratam a história da mineração, da mitologia polonesa e da religião católica. Os lagos subterrâneos refletem a luz com uma coloração esverdeada e surreal. A temperatura é constante o ano inteiro, independentemente da estação lá fora.


Patrimônio desde o primeiro dia

Em 1978, a UNESCO elaborou sua primeira lista de Patrimônios da Humanidade. Wieliczka estava lá, ao lado do centro histórico de Cracóvia, na mesma cerimônia inaugural. A mina funcionou comercialmente até 2007, quando a extração foi encerrada. Hoje opera exclusivamente como museu e centro cultural.


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