A fortaleza de mil cômodos que abrigou o Dalai Lama por três séculos
- Domundo Operadora
- há 5 dias
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Em Lhasa, a 3.650 metros de altitude, uma construção monumental domina a paisagem. Com suas paredes brancas e vermelhas escalonadas subindo pela Montanha Vermelha, o Palácio de Potala parece flutuar entre céu e terra.
Este foi, por 300 anos, o centro espiritual e político do Tibete, a residência de inverno do Dalai Lama e o símbolo máximo da cultura tibetana.
Uma montanha transformada em palácio
O primeiro palácio no local foi construído em 637 d.C. pelo rei Songtsen Gampo, considerado fundador do Império Tibetano. Era fortaleza e palácio real, erguida para impressionar, e de fato impressionou sua noiva, a princesa chinesa Wencheng, que trouxe consigo o budismo da China.
A construção original foi destruída por invasões e incêndios ao longo dos séculos. O Potala que vemos hoje começou a ser erguido em 1645, sob ordens do 5º Dalai Lama, que consolidou o poder político e religioso dos lamas no Tibete.
A construção levou 50 anos e mobilizou mais de 7.000 trabalhadores e 1.500 artistas. O resultado: 13 andares, mais de 1.000 cômodos, 10.000 santuários e 200.000 estátuas. Tudo isso em uma montanha a mais de 3.600 metros de altitude, usando técnicas do século XVII.
Arquitetura que desafia a física
As fundações do Potala foram esculpidas diretamente na rocha e suas paredes externas têm até 5 metros de espessura na base, diminuindo gradualmente até o topo.
Para suportar o peso imenso – estima-se em centenas de milhares de toneladas –, os construtores desenvolveram uma técnica engenhosa: derramaram cobre fundido nas fundações para adicionar força estrutural. As paredes foram feitas com pedras coladas por uma argamassa que inclui ferro fundido para aumentar a resistência.
O complexo está dividido em dois palácios principais: o Palácio Branco, que abrigava os aposentos administrativos e residenciais, e o Palácio Vermelho, dedicado ao estudo religioso e à oração.
Entre os dois palácios, escadarias íngremes e corredores labirínticos conectam capelas, bibliotecas, salões de assembleia e os túmulos dourados, que guardam os restos mortais de oito Dalai Lamas.
O coração espiritual do Tibete
Por séculos, o Potala foi mais que residência: era o centro de uma teocracia. O Dalai Lama não era apenas líder espiritual, mas chefe de Estado. Daqui, governava o Tibete, recebia embaixadores, tomava decisões que afetavam milhões de pessoas.
Dentro do palácio, milhares de monges estudavam, meditavam e realizavam rituais. O salão mais sagrado é a Caverna de Dharma do Rei Songtsen Gampo, onde, segundo a tradição, o rei fundador meditava. A estátua dele ainda está lá, junto com suas duas esposas – a princesa chinesa Wencheng e a princesa nepalesa Bhrikuti, ambas creditadas por trazer o budismo ao Tibete.
O ano que mudou tudo
Em março de 1959, após o fracasso de uma revolta tibetana contra o controle chinês, o 14º Dalai Lama fugiu do Potala em plena noite, disfarçado de soldado. Cruzou os Himalaias a pé e buscou asilo na Índia, onde vive até hoje, aos 90 anos.
O palácio nunca mais teve um Dalai Lama residente. Transformou-se em museu, aberto a visitantes, mas sem a presença do líder espiritual tibetano.
Durante a Revolução Cultural Chinesa (1966-1976), o Potala foi poupado da destruição que atingiu milhares de monastérios tibetanos, supostamente por ordem direta do premier Zhou Enlai.
Patrimônio da Humanidade pela UNESCO
Em 1994, a UNESCO declarou o Potala como Patrimônio da Humanidade. O reconhecimento veio acompanhado de esforços de preservação: as estruturas de madeira centenárias foram reforçadas, afrescos restaurados, sistemas modernos de prevenção de incêndio instalados.
Hoje, o palácio recebe milhares de visitantes diariamente – número controlado para evitar danos estruturais. A subida é intensa: são 1.080 degraus desde a base até o topo. Mas a vista compensa. Do alto do Potala, Lhasa se estende aos pés: uma cidade que cresce com as montanhas do Himalaia ao fundo.

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