Cinque Terre: as cinco aldeias medievais penduradas nos penhascos da Ligúria que conquistaram o mundo

Na costa da Ligúria, cinco aldeias de pescadores se agarram a penhascos que despencam direto no Mar Mediterrâneo.
São as Cinque Terre – Riomaggiore, Manarola, Corniglia, Vernazza e Monterosso –, um amontoado de casas coloridas empilhadas onde, teoricamente, nada deveria caber. O cenário é tão improvável que virou Patrimônio da Humanidade pela UNESCO em 1997.
A outra grande muralha
O que parece obra da natureza é, na verdade, obra de gente. Como não havia terra plana para cultivar, os moradores passaram séculos esculpindo as encostas em terraços sustentados por muros de pedra seca, sem cimento, pedra sobre pedra, ajustadas à mão.
Somados, esses muros passam de 6 mil quilômetros, e há quem os chame de a “outra grande muralha” da humanidade, em referência à Grande Muralha chinesa.
Neles cresce a uva que dá o Sciacchetrà, vinho doce raríssimo em que cada colheita desce a encosta praticamente nas costas de quem a faz. É o que se convencionou chamar de viticultura heroica, e o nome não é exagero.

O fim do isolamento
Durante quase toda a sua história, as cinco aldeias só eram acessíveis por mar ou por trilhas de mula. Isso mudou em 1874, quando a ferrovia da costa perfurou os penhascos e ligou os vilarejos ao mundo.
Ainda hoje é de trem, mergulhando de túnel em túnel, que se salta de uma vila para a outra. A natureza, porém, cobra seu preço: em 2011, enxurradas violentas devastaram Vernazza e Monterosso, que precisaram ser reconstruídas pedra por pedra, em mais um capítulo da teimosia de quem insiste em viver ali.

O verde na mesa e a joia da Riviera
A cozinha ligure nasceu do encontro do mar com a montanha. O prato-símbolo é o pesto genovês – manjericão, pinoli, alho, parmesão e azeite triturados no pilão –, servido com a massa trofie.
Some a isso anchovas, peixe fresco e o azeite local, e se entende por que uma mesa de trattoria de frente para o mar é parte essencial da experiência.
Mais ao norte, o litoral fica mais elegante: em Santa Margherita Ligure, os caruggi – becos estreitos entre prédios coloridos – levam ao barco que cruza até Portofino, minúscula vila de pescadores que o século XX transformou num dos endereços mais desejados da Europa, encravada numa enseada tão perfeita que ganhou o apelido de Golfo del Paradiso.

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