Como a China reescreveu o destino dos pandas
- Domundo Operadora
- há 3 dias
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Eles são desajeitados, fofos, e passam 14 horas por dia comendo bambu. São também um dos animais mais raros do planeta e o símbolo máximo da conservação da vida selvagem.
Os pandas-gigantes quase desapareceram da Terra, até que a China decidiu que isso não ia acontecer.
À beira da extinção
Em 1980, restavam cerca de 1.100 pandas-gigantes na natureza. A população estava em queda livre. Caça, destruição de habitat e a biologia peculiar da espécie – pandas têm baixíssima taxa de reprodução – empurravam o animal para a extinção.
Os pandas sempre foram raros. Fósseis mostram que já foram mais numerosos e ocuparam uma área muito maior da China. Mas à medida que florestas de bambu eram derrubadas para agricultura e desenvolvimento urbano, os pandas foram sendo encurralados em espaços cada vez menores.
O governo chinês percebeu que estava prestes a perder seu símbolo nacional. A resposta foi criar um dos programas de conservação mais ambiciosos e bem-sucedidos da história.
Chengdu: o berço dos pandas
A Base de Pesquisa de Reprodução de Pandas Gigantes de Chengdu começou em 1987 com apenas 6 pandas resgatados da natureza. O objetivo era desenvolver técnicas de reprodução em cativeiro e, eventualmente, reintroduzir pandas na natureza.
O desafio era enorme. Pandas são notoriamente difíceis de reproduzir. Fêmeas são férteis apenas de 2 a 3 dias por ano. Machos em cativeiro frequentemente não demonstram interesse ou não sabem como acasalar. Filhotes nascem prematuros, minúsculos, pesando apenas 100 gramas, e extremamente frágeis.
A base de Chengdu precisou se tornar especialista em obstetrícia de pandas. Desenvolveram técnicas de inseminação artificial, aprenderam a detectar o momento exato da ovulação, criaram protocolos para cuidar de filhotes prematuros. Foi um processo de tentativa e erro que levou décadas.
Hoje, a base abriga mais de 200 pandas e se tornou referência mundial em reprodução da espécie.
Uma vida dedicada ao bambu
Pandas têm dieta quase exclusivamente de bambu: comem de 12 a 38 quilos por dia. O problema é que bambu tem valor nutricional baixíssimo. É por isso que pandas passam tanto tempo comendo: precisam consumir quantidade absurda para obter energia suficiente.
Biologicamente, eles são carnívoros. Mas por razões evolutivas que cientistas ainda debatem, se adaptaram a comer bambu. O resultado é um animal que come constantemente, mas absorve apenas cerca de 17% dos nutrientes.
Na base de Chengdu, cada panda tem uma dieta específica, com diferentes tipos de bambu cultivados especialmente para eles. Há também suplementos nutricionais em forma de bolinhos feitos com farinha de milho, soja e vitaminas – os chamados “panda cakes” que cuidadores usam para treinar e recompensar os animais.
Diplomacia de pandas
Pandas são também ferramenta de diplomacia. A China pratica o “panda diplomacy” desde os anos 1950, emprestando pandas a zoológicos de países aliados em acordos que fortalecem relações internacionais.
Atualmente, cerca de 60 pandas vivem em zoológicos fora da China, em países como Estados Unidos, Japão, Canadá e Alemanha. Mas todos pertencem oficialmente à China. Zoológicos pagam até um milhão de dólares por ano pelo privilégio de abrigar pandas, e todo filhote nascido fora da China deve ser eventualmente devolvido.
Sucesso que veio devagar
Levou décadas, mas o esforço funcionou. Em 2016, a União Internacional para Conservação da Natureza mudou o status dos pandas de “em perigo” para “vulnerável”. A população na natureza cresceu para cerca de 1.800 animais.
Para isso, a China investiu bilhões em conservação de pandas: criou mais de 60 reservas naturais, reflorestou vastas áreas, construiu corredores ecológicos conectando populações isoladas.
Pandas reintroduzidos na natureza ainda enfrentam desafios. Muitos não sabem caçar – mesmo que raramente precisem -, alguns não reconhecem predadores, outros têm dificuldade em encontrar parceiros. Mas cada panda que sobrevive na natureza é considerado um sucesso para o país.

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