Gastronomia da Toscana: trufas, chianti, brunello e o prazer de comer sem pressa na Itália

Na Toscana, a refeição é uma parte consideravelmente importante do dia. Almoços que emendam na tarde, garrafas que vão sendo abertas conforme a conversa avança, pratos que chegam à mesa no ritmo de quem não tem para onde correr.
É um jeito de comer que tem menos a ver com sofisticação e mais com companhia: o que está no prato importa, mas importa tanto quanto quem está em volta dele. E o que está no prato, aqui, em muitas das vezes costuma vir da floresta ao lado, da encosta em frente, da vinha que se vê da janela.
A trufa e o cão
Poucos ingredientes têm uma história tão boa quanto a trufa. Esse fungo perfumado cresce escondido embaixo da terra, agarrado às raízes de certas árvores, e não se deixa plantar: ou a terra dá, ou não dá.
Encontrá-la é ofício de especialista. O Trifolao, o caçador de trufas, entra na mata bem cedo com seu sócio de quatro patas, um cão treinado para farejar, sob o solo, um aroma que o nariz humano só percebe quando a trufa já está na mão.
Quando o cachorro estaca e começa a cavar, é sinal de que achou. Nas redondezas de San Miniato, uma das capitais italianas da iguaria, esse ritual se repete há gerações, e o prêmio é generoso: lascas finas de trufa fresca raladas na hora sobre uma massa simples, capazes de perfumar a mesa inteira.

Dois vinhos, duas Toscanas
Se a trufa sai da floresta, o vinho desce das colinas, e é impossível falar da Toscana sem falar dele. Dois nomes resumem a região. O Chianti, do galo negro no rótulo, é o vinho do cotidiano: descomplicado, feito para acompanhar a comida e a conversa, aquele que vai à mesa sem cerimônia.
O Brunello di Montalcino é o oposto: encorpado, foi o primeiro vinho da Itália a receber a DOCG, a certificação de origem mais rigorosa do país, e passa anos amadurecendo em barris de carvalho antes de estar pronto. Provar um e outro no lugar onde nascem, ao lado de quem cuida das videiras, é o tipo de coisa que faz entender por que os toscanos falam de vinho como quem fala de família.
E não para por aí: a mesma terra que dá a trufa e a uva ainda esconde, nas colinas de Volterra, uma flor lilás que produz o açafrão mais valioso do mundo.

O tempo como ingrediente
No fim das contas, o que une a trufa procurada com paciência, o vinho que espera anos na barrica e o almoço que se estica sem culpa é justamente o tempo. A Toscana trata a comida como as boas coisas da vida devem ser tratadas: sem pressa, em boa companhia e com o que a terra tem de melhor à mão.
Chegar à mesa, por aqui, é menos sobre matar a fome e mais sobre celebrar o dia. De preferência, com uma taça na mão. 😉

Conheça esse e outros destinos com a Domundo!
Transformamos viagens em experiências que conectam pessoas, lugares e culturas, com um jeito único de fazer turismo: artesanal, cuidadoso e comprometido em estar sempre no lugar certo, na hora certa.


