Grandes Lagos Italianos: como os lagos Como, Garda e Maggiore se tornaram a paisagem favorita da aristocracia europeia

Há uma razão pela qual poetas, pintores, imperadores e estrelas de cinema escolheram os lagos do norte da Itália como cenário para suas histórias.
A combinação entre água, montanha, vegetação mediterrânea e arquitetura histórica cria uma paisagem que parece ao mesmo tempo grandiosa e íntima, que é difícil de encontrar em outro lugar da Europa.
O Lago de Garda é o maior da Itália: 370 quilômetros quadrados de água azul rodeados por montanhas ao norte e por colinas suaves cobertas de oliveiras e vinhedos ao sul.
O microclima criado pela massa de água permite que espécies mediterrâneas, como limoeiros, ciprestes e palmeiras, cresçam a latitudes que deveriam ser incompatíveis com elas.
Sirmione, na ponta de uma península estreita que avança pelo lago, tem ruínas romanas do século I, um castelo medieval dos Scaligeri e águas termais que brotam do fundo do lago. É uma das combinações mais improváveis e mais encantadoras da Itália.

O lago dos escritores
O Lago de Como tem uma silhueta diferente: estreito e profundo, com 410 metros de profundidade máxima, em forma de Y invertido entre montanhas que sobem abruptamente das margens.
Virgílio escreveu sobre ele. Plínio, o Jovem, tinha duas villas às suas margens. Stendhal, Flaubert e Mark Twain vieram aqui e ficaram sem palavras.
George Clooney tem casa em Laglio desde 2002, o que talvez diga mais sobre a persistência do charme do lago do que qualquer citação literária.
Lecco fica no braço sudeste, o mais dramático, com o Monte Resegone dominando o horizonte. Alessandro Manzoni, o maior romancista italiano do século XIX, nasceu em Milão mas cresceu aqui, e o lago aparece nas primeiras páginas de Os Noivos com uma precisão fotográfica que só quem amou muito um lugar consegue escrever.

O lago das ilhas
O Lago Maggiore fecha o trio com uma escala mais suave e uma herança aristocrática concentrada nas Ilhas Borromeu, o arquipélago particular de uma família nobre que construiu palácios e jardins barrocos que ainda hoje são propriedade dos Borromeo.
Stresa, na margem ocidental, foi o destino favorito da alta burguesia europeia no início do século XX, quando o Grand Hotel des Iles Borromees recebia hóspedes como Ernest Hemingway — que situou parte de Adeus às Armas neste hotel. A tradição continua.

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