Ponte Velha de Mostar, o símbolo da reconciliação dos Bálcãs

Em 9 de novembro de 1993, após dois dias de bombardeio com projéteis anticarro, a Ponte Velha de Mostar desabou no Rio Neretva. Tinha 427 anos. Era o símbolo mais reconhecível de uma cidade cujo nome vem exatamente dela; Mostar significa "guardião da ponte".
Quando as pedras brancas de calcário afundaram no rio, muita gente interpretou o gesto como deliberado: não era só uma ponte que estava sendo destruída, era uma identidade.
A Stari Most foi construída entre 1557 e 1566 por ordem do sultão Suleiman, o Magnífico, e acredita-se que tenha sido construída pelo arquiteto otomano Mimar Hayruddin.
Com um único arco de 29 metros de vão sobre o Neretva, era considerada uma das maiores obras de engenharia do século XVI.
Por séculos conectou as duas margens da cidade, e simbolicamente, as comunidades cristã e muçulmana que viviam em cada uma delas.
Reconstrução como ato político
Após o fim da guerra, a reconstrução da ponte virou projeto internacional. Pedras recuperadas do leito do rio foram reintegradas à estrutura. Canteiros aprenderam ou reaprenderam a técnica otomana de trabalhar o tenelija, o calcário local.
Em 23 de julho de 2004, a Ponte Velha foi reinaugurada; e em 2005 foi inscrita como Patrimônio da Humanidade pela UNESCO, não apenas pelo valor arquitetônico, mas pelo que representa: a possibilidade de reconstruir o que a guerra destrói.
Hoje, a tradição de mergulhar da ponte — que os jovens de Mostar praticam há séculos como rito de passagem — voltou. Do alto dos 21 metros sobre o rio, os mergulhadores ainda saltam, como sempre saltaram. A cidade ainda carrega cicatrizes visíveis em muros crivados de balas. Mas a ponte está lá.

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