San Gimignano, a cidade das torres na Toscana

Vista da estrada, San Gimignano tem uma silhueta intrigante: torres altas espetando o céu acima das muralhas, como se fosse uma metrópole em miniatura. Só que essas torres têm quase mil anos. Não à toa, a cidade ganhou o apelido de “Manhattan medieval”.
Uma guerra de torres
Entre os séculos XII e XIV, San Gimignano ficou rica. Estava numa importante rota de peregrinos e prosperou com dois produtos valiosíssimos: o açafrão, cultivado nas colinas ao redor, e a Vernaccia, seu vinho branco.
Com dinheiro sobrando, as famílias mais poderosas passaram a fazer o que a vaidade mandava: construir torres cada vez mais altas. Não por defesa, mas por status.
Quanto mais alta a sua torre, maior o seu poder aos olhos da cidade. Chegou a haver mais de 70 delas disputando o horizonte, num vaivém de rivalidades entre clãs que às vezes descambava para a violência.

Congelada no tempo
Em 1348, a Peste Negra varreu Toscana e dizimou a cidade. Enfraquecida, ela acabou submetida a Florença e nunca mais recuperou a antiga pujança, o que a deixou praticamente intacta, como uma fotografia da Idade Média que ninguém retocou.
Guerras, incêndios e o tempo derrubaram a maioria das torres. Sobraram 14, o suficiente para fazer de San Gimignano o mais bem preservado conjunto do gênero na Itália e Patrimônio da Humanidade pela UNESCO.
No centro, a Praça da Cisterna e a Praça da Catedral guardam, na pedra, a memória daquele tempo em que mercadores viravam nobres senhores, e esses nobres senhores mediam poder em metros de altura.

Três mil anos de história
A poucos quilômetros dali fica Volterra, bem mais antiga: foi um dos grandes centros do misterioso povo etrusco e, depois, uma cidade romana. Guarda um Teatro Romano dos mais bem preservados da Itália, redescoberto só nos anos 1950, e uma velha tradição de trabalho com o alabastro, pedra translúcida esculpida ali há séculos.
Para uma geração inteira, porém, Volterra ficou conhecida por outro motivo: foi escolhida como a cidade dos vampiros que faziam parte da saga Crepúsculo, série de livros que foi adaptada para as telonas em 2008.

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