Butchart Gardens: a pedreira exaurida que se transformou no jardim mais famoso da América do Norte

Em 1904, Robert Pim Butchart esgotou as reservas de calcário de sua pedreira em Tod Inlet, na Ilha de Vancouver. O que restou foi uma cratera de pedra cinzenta, funda e sem vida, com dezenas de metros de diâmetro.
Para a maioria das pessoas, seria um problema de demolição ou aterro. Para Jennie Butchart, esposa de Robert e jardineira obstinada, foi uma oportunidade.
Jennie começou a encher a pedreira exaurida com terra trazida de outras propriedades. Plantou rosas, dálias, flores silvestres. Persuadiu os marinheiros dos barcos que passavam pela região a trazerem mudas de outros portos.
Com o tempo, o buraco que a mineração havia deixado se transformou no Sunken Garden — o Jardim Afundado —, hoje considerado o coração dos Butchart Gardens e uma das mais belas criações paisagísticas da América do Norte.
Jennie não parou ali. Nos anos seguintes, expandiu os jardins em todas as direções: um jardim italiano formal nos fundos da casa; um jardim japonês às margens do lago; um jardim de rosas com pérgolas e arcos que florescem do início do verão até o outono. Cada espaço tem sua lógica própria, sua paleta de cores, sua atmosfera.

O jardim que nunca fecha
Os Butchart Gardens abriram ao público em 1904 e nunca mais fecharam. São um dos jardins mais visitados do mundo, com cerca de um milhão de visitantes por ano.
No verão, iluminações noturnas transformam os canteiros em algo que beira o teatral. Aos sábados de julho e agosto, fogos de artifício são lançados sobre o jardim ao cair da noite.
O que a história dos Butchart Gardens tem de notável não é a escala, mas a origem. Um dos lugares mais bonitos do Canadá existe porque uma mulher olhou para um buraco de pedra abandonado e decidiu que podia ser outra coisa. É o tipo de transformação que só a teimosia criativa consegue produzir.

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